terça-feira, 6 de março de 2012

Para que o 08 de Março amplie conquistas

Vários foram os acontecimentos que culminaram na criação do Dia Internacional da Mulher: um processo de lutas antecedeu a data desde o final do século 19, quando as mulheres passaram a reivindicar melhores salários, condições de trabalho e o fim do trabalho infantil. Isso em várias partes do mundo, especialmente nos Estados Unidos, na Europa e na Rússia. Não foi uma construção fácil ou festiva. No Dia Internacional da Mulher, comemorado em 08 de março, estão cravadas lutas desenvolvidas ao longo de décadas, lutas represadas por centenas de anos e centenas de mártires anônimas. Mas, se paradoxalmente temos uma história de subjugo na sociedade, temos também um lastro de vitórias que não podem ser esquecidas. Nada foi conquistado por benevolência. E nem o é ainda hoje. Até porque, nós mulheres, não desejamos e nem precisamos de benevolência. Precisamos, sim, de reconhecimento do trabalho diuturno que desenvolvemos em nossas casas, nas nossas comunidades e na nossa vida social, pública e privada. Reconhecimento de um direito universal e humano de viver com igualdade e pleno em nossas opções.
Celebrar o 08 de Março é dizer não às violências psicológicas, morais, físicas e sexuais pelas quais muitas de nós passam neste exato momento, passaram e ainda passarão. Celebrar o 08 de março é marcar posição em favor dos avanços já conquistados e lutar para que tais conquistas se ramifiquem, dizendo não às muitas formas de assédio que visam à vulgarização da condição e do gênero feminino; é cobrar punição para os crimes hediondos e silenciosos contra crianças indefesas; é cobrar que as leis sejam aplicadas exemplar e celeremente, e aperfeiçoadas em compasso com as conquistas sociais. Para isso estamos aqui.
O 08 de Março nos mostra que é com o crescimento de uma consciência dentro de cada mulher e de sua importância na sociedade que se dará amplitude às conquistas, rechaçando retrocessos. A história recente do Brasil reposiciona a condição feminina no cenário da política. A eleição democrática da presidenta Dilma Rousseff, candidata do Partido dos Trabalhadores, areja padrões de escolha de candidatos majoritários e proporcionais pelos partidos. Sua administração rebate, de forma límpida, desconfianças dissimuladas – e não – sobre a capacidade da mulher de estar no centro do poder. Um avanço sem precedentes.
Sabemos que há muitas desigualdades a serem reparadas, mazelas difíceis de serem vencidas, fruto de um processo político e social de dominação dos considerados – convenientemente – mais fracos. Mas este é um pensamento que perde espaço neste Brasil que se deu a chance de eleger uma mulher sua presidenta. Outras virão com a mesma força ao centro do poder.
Mulheres e homens que reconhecem no feminino a outra parte do equilíbrio social caminham fortes e juntos para a transformação histórica da sociedade. Não será uma conquista rápida, mas nem tampouco será breve. Será com a tomada de consciência, da luta diária e de não se abater com os revezes, que garantiremos que as conquistas celebradas no Dia Internacional da Mulher sejam mais do que história, sejam fonte permanente de inspiração para a sociedade.

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